sexta-feira, 5 de julho de 2013

TCC

TCC

Estou em uma fase complicada, sem inspiração, tenho que terminar meu tcc e nada... Dias entram e saem e nada de idéias. Dá vontade de jogar tudo para o alto e sumir. Me sinto preso, preciso voar e muito alto, tão alto que poderia ajoelhar na frente do criador para agradecer a minha vida toda ela. Preciso gritar, e gritar tão alto que vai acordar você do outro lado da cidade.

Quero dizer para o amanhã, meu hoje, quero ter um hoje. Viver uma vida por inteiro e não essa metade, mesmo que doa que seja a minha dor, e que eu tenha seu colo pra chorar. Mas quando for a vitória quero dividir com você, minha parceira, companheira, meu amor.

Raphael Diogo de Oliveira Lopes. 05/07/2013

sábado, 29 de junho de 2013

Confusa

Confusa          


Não sei bem por que estou aqui gostaria de saber que lugar é esse, estou começando achar que realmente sou louca, mas não sou. Já falei com enfermeiros guardas todo mundo e ninguém me leva a sério... Já gritei, chorei, me injetaram algo, dormi. Só quero sair daqui ver meu filho e marido. Será que estão me drogando? O que irei fazer?
Só me lembro do meu bebê dormindo como um anjo ao lado de nossa cama na qual meu marido roncava tanto que até sua mãe poderia ouvir, graças ao bom Deus, do outro lado da nossa cidade. Ainda sentia algumas dores dos pontos que recebi durante a cesariana, que não entendo como cicatrizaram do dia para a noite. Estava cansada, trabalhamos duro o dia todo para arrumar espaço para o nosso pequeno. Qualquer esforço para mim era gigantesco, o martelo ainda estava sobre nosso criado mudo usado para montar o berço. Um barulho estranho chamou minha atenção. Sacudi meu esposo que somente virou de lado, encerrando sua sinfonia horrorosa. Peguei o martelo e resolvi conferir.
O caminho era muito escuro durante a noite, gritei se tinha alguém... Só o silencio como resposta. Na cozinha nosso gato fizera uma pequena bagunça arrumável durante a manhã. Tomei o mesmo caminho de volta, mas antes uma pequena parada no banheiro. Ao apagar a luz e me dirigir ao meu sono merecido vi aqueles olhos... Vermelhos de fogo... Em meio aquela escuridão, saindo da parede de frente para mim, tentei correr minhas pernas não conseguiram, as lágrimas caiam, a escuridão me envolveu... Desmaiei.
Acordei extremamente zonza, esbarrei na nossa cama, não entendi como fui parar ali, sentei, meu braço esquerdo doía, estava quebrado, meu lábio ferido. O lençol estava úmido. Acendi a luz... Tudo destruído em minha volta. Meu bebê ainda no berço, onde meu marido estava encostado agonizando em uma poça de sangue com uma faca de nossa cozinha no peito... Chorei... Vomitei... Apaguei... Voltei... Meu neném sobre a cama chorando, o martelo em minhas mãos, novamente os olhos dessa vez em uma sombra, que passava seu braço sobre meus ombros. Disse algo em uma língua que não conhecia... Soou a mim como uma ordem... Depois disso só me lembro da bandeja de comida a minha frente escrita manicômio judiciário André dos Reis.

Raphael Diogo de Oliveira Lopes.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Olhar nas estrelas

Tenho um velho hábito antes de dormir: olho as estrelas, antes e depois de ir ao banheiro, meio estranho, mas é assim mesmo. Imagino o que devem ser de verdade. Tanta gente diz tanta coisa, ciência diz algo, a religião desmente... Fora que ainda tem religião que se diz ciência e ciência dizendo que é religião... Realmente não sei quem fala a verdade, mas só tenho certeza que elas estão lá em cima, independente de explicação, rindo de tanta burrice, tanta briga, para convencer mais pessoas que simplesmente tenho razão.

Raphael Diogo de Oliveira Lopes.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Caminhadas



Caminhadas

Gosto de fazer caminhadas, até para mudar o peso da cabeça para energia para o coração. Às vezes, nesses caminhos, chego até a voar, e tão alto, mas tão alto, que as nuvens viram pedacinhos de algodão aqui e ali.  Outras vezes me enterro, vou tão fundo que o medo se cansa de cavar para me achar. Muitas vezes me perco, tento voltar ao meu caminho, e me vejo caindo como pássaro abatido ou subindo me ferindo nas pedras no solo. Mas aí me curo levanto e continuo a caminhada. 


Raphael Diogo de Oliveira Lopes.

sábado, 25 de maio de 2013

Para aquele que ama

Quero engolir a vida, cada pedaço grande, sem ter que mastigar. Tudo de uma vez, aqui, agora!  Chega de mais ou menos, só um pouquinho, daqui a pouco. Minha vida tem pressa de ser vivida, sem os medos que me matam, sem tudo aquilo que me cala. Quero sentir cada brisa, ver cada sorriso, estar em todos os lugares e em lugar nenhum. Quero a melodia do pássaro, quero Beethoven, quero metal. Quero tudo e sempre e sempre e sempre, com você do meu lado.


Raphael Diogo de Oliveira Lopes 25/05/2013.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Negrinho



Não entendo como meus pais conseguiam ser tão bondosos e nem a utilidade de tanta caridade. Eram rios de dinheiro para obras de caridade, sopa para mendigos, roupas para orfanatos, presentes de fim de ano às famílias dos empregados, cestas básicas, uma infinidade de coisas, não faço ideia como éramos ricos jogando fora tanto dinheiro com a ralé.
O maior absurdo de todos foi quando eles resolveram bancar os estudos do negrinho, filho de nossa cozinheira, com um ex-presidiário, que bêbado todo tempo ,até onde sei, sentava a mão nos dois para lembrar quem mandava, e estava certo. O moleque idiota que nem falava direito, vivia bisbilhotando às estantes de nossa casa, presença incômoda e constante, queria ser advogado. Imagina um preto de terno defendendo outros pretos bandidos como é normal em sua gente, isso é realmente algo para se rir e assim o fiz ao me contar sobre sua ilusão enquanto contaminava mais um pouco o ambiente de meu lar com sua “afro-presença”. Recebia toda ajuda financeira uniforme, livros, transporte, alimentação, tudo saindo da minha herança, diretamente, para sua utopia imbecil, chegamos ao ponto dele ganhar uma escrivaninha igual a minha para ele por na sua senzala, ou sei lá onde ele vivia.
Era destaque na nossa escola onde disputávamos nota a nota quem era o melhor aluno. Eu sempre vencia... O que posso fazer? Minha raça nasceu para pensar a dele para trabalhar a ciência disse! Mesmo assim ele insistia... Segundo melhor aluno da escola, tinha o respeito e a admiração dos colegas e professores, recebia os elogios que eram para serem meus afinal era inferior a mim. Sempre que ia ressaltar meus feitos era obrigado a escutar que ele era um batalhador, que sua família era muito pobre, toda aquela ladainha sem sentido de gente sem visão, falsos, sentimentalistas...
Chegou a época de ingressar na universidade, os exames estavam perto, tínhamos os mesmos professores particulares, dividíamos, os mesmos espaços, o mesmo banheiro isso tudo porquê sim ele se mudou para minha casa. Meu pai disse que seria mais interessante para nosso desempenho o estudo em conjunto, quando fui falar com minha mãe ela se resumiu a dizer que ganharia um “irmão preto” por algum tempo, num tom de carinho. Que tipo de pessoa doente diz que eu teria um irmão crioulo. Preferia ter nascido de uma cadela a ter vindo de um mesmo ventre de um macaco desses. Chegava ao ponto de me dar enjoos pela na porta de seu quarto pela manhã, ao menos não roubou nada... O que se pode fazer não teve muito tempo para isso.
Chegou o dia do resultado todos estavam na expectativa do resultado dele não o meu... Um absurdo! Ele veio correndo até meu quarto no segundo andar da mansão vendo o trabalho do jardineiro já terminado durante o dia e pensando como seria bom estar dentro da sua filha, mais uma vez, somente para comemorar minha terceira colocação no ranking dos classificados. Gritando louco de felicidade por ter conseguido, e para meu maior desgosto era o primeiro. Não sei que truque sujo ele usou, mas conseguiu... Infelizmente sua alegria, como a de qualquer um de sua estirpe, dura pouco, ao vir me abraçar feliz por ter alcançado sua vitória tropeçou não vi muito bem onde cambaleou e caiu pela janela. Ao menos foi o que disse a todos, mas foi muito gostoso empurra-lo e acabar com sua presença que empesteava o ambiente. O som de sua cabeça batendo no solo até hoje está na minha mente e a visão do  sangue que escorria lentamente para alimentar as plantas. Corri para fingir que buscava ajuda gritei todos vieram, contei minha estória às lágrimas de medo pelo ato impulsivo, porém ajudaram a convencer. Não vou dizer que o nome da família não me protegeu contra acusações... Infelizmente não morrera, mas veio a tornar-se um vegetal horrendo e de rosto deformado, o qual me repugnava ainda mais, muito mal piscava os olhos, até um travesseiro acabar com seu olhar cheio de ódio.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Tragédia de amor

Tragédia de amor

Não se pode dizer que não amei a vida... Simplesmente a vivi... Mais que intensamente vivi... Cada manhã, sabor, cada beijo, paisagem, cada aroma. Passei meus dias pelo prazer, somente pelo que me fazia bem aos sentidos, pobre de quem não fazia o mesmo, e aqueles que me impediam de fazer. Caminhei pela estrada deliciosa das sensações, festas, viagens, pessoas, nada era o suficiente. Devorei a vida de uma só vez... O Não? Quem disse que ele existia? Era o Sim era meu melhor companheiro, hoje, agora, nesse momento, eram meus termos...
Esperar jamais, se não podia ter, destruía. Assim foi com Dalva. Menina doce, apaixonada por música, vivia entre cantos e murmúrios, cujos seus grandes olhos castanhos, e a belas curvas do seu corpo não me davam sossego.  Seu balanço moreno em seu vestido remendado levando a bandeja de doces todos os dias me enlouquecia.  Uma verdadeira maravilha em forma de mulher. Por que ela não me olhava? Por que nunca perguntara quem eu era. Isso era uma ofensa à minha pessoa.
Diariamente enviava esse maldito negro cujo nome me repugna até o ato de pronunciá-lo, para comprar suas delícias em meu nome, pois alguém de minha posição não poderia ser visto na rua de conversa com uma negra não acham? Sendo assim Agnaldo tinha essa responsabilidade diária. Nem gostava dos quitutes, mas da vendedora... Ao longo do tempo para minha enorme surpresa ele se aproximou da mulher que deveria ser minha, apenas eu deveria ser ele a estar no meio daquelas pernas, não ele. Amei-a no silêncio do meu orgulho, dia após dia, desejei-a todas as noites, mas ela somente tinha olhos para o homem que chegou como pedinte à minha casa. Foi alimentado, abrigado, e tornara-se servo fiel da família. Com sua fingida humildade conquistou a confiança de todos, tendo até regalias especiais diferentemente dos outros empregados como um casebre dentro das nossas propriedades, fato revoltante, precisava de um local para desenvolver os meus escritos, lá seria perfeito.
O maior golpe veio mais tarde quando ele nos veio trazendo a notícia, tenho certeza que somente para vangloriar-se nas minhas faces, eles se casariam e, graças à louca generosidade de meu pai, morariam juntos no mesmo casebre. Ali perto, nas minhas fuças, para que fosse testemunha de tudo, sim de cada minuto que ele estivesse de posse do que era meu. Já imaginava sua felicidade, mãos dadas, risos, e prazeres, tudo isso às minhas vistas. . Isso já era demais! Tinha de fazer algo e fiz!
Chegou o dia do terrível matrimônio... A dor era enorme... Encontrava-me louco, entontecido pelo ódio e álcool. Atravessei o jardim sem conseguir ver viva alma. Todos estavam nos preparos da festa. Sim uma festa para um servo que dias são esses...  Ao alcançar a pocilga que tinha como morada recebeu-me com um abraço e o sorriso falso que era habituado. Fomos até seu quarto onde terminava de aprontar-se, paletó ainda sobre a cama, gabava-se quase sem respirar sobre seu futuro, filhos, família, enquanto atrapalhava-se com os últimos botões de sua camisa... Não posso negar o prazer que tive ao ver sua cara amedrontada com o reflexo no espelho da faca em minha mão. Apenas um golpe, no pescoço, o ladrão, conquistador barato, caiu de joelhos o sangue logo começou a espalhar-se no chão, fugi antes que manchasse meus sapatos.
Ainda nervoso e desta vez melhor armado fui ate a casa da noiva mais bonita que poderia ter visto nesta vida de delícias. Estavam ela e mais duas senhoras que a auxiliavam com seu vestido, mais tarde pelos seus brados, soube ser sua mãe e avó. Já porta à dentro, a primeira aproximou-se, recebendo dois tiros, segunda ao tentar correr em minha direção, caiu com mais outros três. Então ali estava minha amada, minha querida, minha, finalmente! Seus gritos e lágrimas aumentavam ainda mais minha virilidade, enquanto satisfazia meu ardente desejo de seu corpo. Levantei-me de cima de Dalva que jazia ao chão, espancada e soluçante, olhei-a uma ultima vez, recarreguei e disparei, muitas vezes, pois ela deveria ser minha e mais de ninguém.
Não fui preso felizmente, posso dizer com sinceridade do meu arrependimento. A impulsividade foi meu grande juiz. Podia tê-la levado a outro lugar, e assim dado asas ao meu desejo de homem, podia ter aguardado outra data onde menos pessoas fossem procura-la, poderia ter sido na madrugada quem sabe. Apenas me defendi da injustiça sofrida, pela ofensa disparada ao meu coração de amante, pela humilhação diante da covardia do meu inimigo ao tomar algo que me era muito caro! Tive der ir até a igreja, suado ensanguentado, cansado, perdido, louco. Entrei, gritei com toda a energia que me restava, que não haveria mais o casamento,  o motivo e usei a ultima bala em minha cabeça.

Raphael Diogo de Oliveira Lopes – Rio de Janeiro, 16 de abril de 2013.