Confusa
Não sei bem por que estou aqui gostaria de saber
que lugar é esse, estou começando achar que realmente sou louca, mas não sou. Já
falei com enfermeiros guardas todo mundo e ninguém me leva a sério... Já
gritei, chorei, me injetaram algo, dormi. Só quero sair daqui ver meu filho e
marido. Será que estão me drogando? O que irei fazer?
Só me lembro do meu bebê dormindo como um anjo ao
lado de nossa cama na qual meu marido roncava tanto que até sua mãe poderia
ouvir, graças ao bom Deus, do outro lado da nossa cidade. Ainda sentia algumas
dores dos pontos que recebi durante a cesariana, que não entendo como
cicatrizaram do dia para a noite. Estava cansada, trabalhamos duro o dia todo
para arrumar espaço para o nosso pequeno. Qualquer esforço para mim era gigantesco,
o martelo ainda estava sobre nosso criado mudo usado para montar o berço. Um
barulho estranho chamou minha atenção. Sacudi meu esposo que somente virou de
lado, encerrando sua sinfonia horrorosa. Peguei o martelo e resolvi conferir.
O caminho era muito escuro durante a noite, gritei
se tinha alguém... Só o silencio como resposta. Na cozinha nosso gato fizera
uma pequena bagunça arrumável durante a manhã. Tomei o mesmo caminho de volta,
mas antes uma pequena parada no banheiro. Ao apagar a luz e me dirigir ao meu
sono merecido vi aqueles olhos... Vermelhos de fogo... Em meio aquela
escuridão, saindo da parede de frente para mim, tentei correr minhas pernas não
conseguiram, as lágrimas caiam, a escuridão me envolveu... Desmaiei.
Acordei extremamente zonza, esbarrei na nossa cama,
não entendi como fui parar ali, sentei, meu braço esquerdo doía, estava
quebrado, meu lábio ferido. O lençol estava úmido. Acendi a luz... Tudo
destruído em minha volta. Meu bebê ainda no berço, onde meu marido estava
encostado agonizando em uma poça de sangue com uma faca de nossa cozinha no
peito... Chorei... Vomitei... Apaguei... Voltei... Meu neném sobre a cama
chorando, o martelo em minhas mãos, novamente os olhos dessa vez em uma sombra,
que passava seu braço sobre meus ombros. Disse algo em uma língua que não conhecia...
Soou a mim como uma ordem... Depois disso só me lembro da bandeja de comida a
minha frente escrita manicômio judiciário André dos Reis.
Raphael Diogo de Oliveira Lopes.
Que dó!!
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