sábado, 29 de junho de 2013

Confusa

Confusa          


Não sei bem por que estou aqui gostaria de saber que lugar é esse, estou começando achar que realmente sou louca, mas não sou. Já falei com enfermeiros guardas todo mundo e ninguém me leva a sério... Já gritei, chorei, me injetaram algo, dormi. Só quero sair daqui ver meu filho e marido. Será que estão me drogando? O que irei fazer?
Só me lembro do meu bebê dormindo como um anjo ao lado de nossa cama na qual meu marido roncava tanto que até sua mãe poderia ouvir, graças ao bom Deus, do outro lado da nossa cidade. Ainda sentia algumas dores dos pontos que recebi durante a cesariana, que não entendo como cicatrizaram do dia para a noite. Estava cansada, trabalhamos duro o dia todo para arrumar espaço para o nosso pequeno. Qualquer esforço para mim era gigantesco, o martelo ainda estava sobre nosso criado mudo usado para montar o berço. Um barulho estranho chamou minha atenção. Sacudi meu esposo que somente virou de lado, encerrando sua sinfonia horrorosa. Peguei o martelo e resolvi conferir.
O caminho era muito escuro durante a noite, gritei se tinha alguém... Só o silencio como resposta. Na cozinha nosso gato fizera uma pequena bagunça arrumável durante a manhã. Tomei o mesmo caminho de volta, mas antes uma pequena parada no banheiro. Ao apagar a luz e me dirigir ao meu sono merecido vi aqueles olhos... Vermelhos de fogo... Em meio aquela escuridão, saindo da parede de frente para mim, tentei correr minhas pernas não conseguiram, as lágrimas caiam, a escuridão me envolveu... Desmaiei.
Acordei extremamente zonza, esbarrei na nossa cama, não entendi como fui parar ali, sentei, meu braço esquerdo doía, estava quebrado, meu lábio ferido. O lençol estava úmido. Acendi a luz... Tudo destruído em minha volta. Meu bebê ainda no berço, onde meu marido estava encostado agonizando em uma poça de sangue com uma faca de nossa cozinha no peito... Chorei... Vomitei... Apaguei... Voltei... Meu neném sobre a cama chorando, o martelo em minhas mãos, novamente os olhos dessa vez em uma sombra, que passava seu braço sobre meus ombros. Disse algo em uma língua que não conhecia... Soou a mim como uma ordem... Depois disso só me lembro da bandeja de comida a minha frente escrita manicômio judiciário André dos Reis.

Raphael Diogo de Oliveira Lopes.

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